13.1.06

Os dias da Literatura Portuguesa

A Literatura Portuguesa Contemporânea está em contínuo enriquecimento, isso é notório e visível nos vários lançamentos de livros que acontecem semanalmente, por parte dos escritores de língua portuguesa, que não contando, infelizmente, com a mesma projecção mediática, que J. K. Rowling e o seu novo Harry Potter e o Príncipe Miste­rioso granjearam no dia do lançamento da tradução portuguesa do sexto livro desta saga, continuam a colocar no papel a originalidade e criatividade, próprias da vivência e cultura do nosso povo, que fazem com que a literatura portuguesa, referindo as palavras do director do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro, responsável pela apresentação do novo romance de Rodrigo Guedes de Carvalho A Casa Quieta, na Biblioteca Municipal da Covilhã (numa cerimónia bem mais discreta da que ocorreu nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa), coloque “o país na disputa dos melhores lugares a nível europeu” no que concerne a obras literárias.

No que diz respeito a novos trabalhos de autores portugueses, o segundo romance do jornalista e escritor, Rodrigo Guedes de Carvalho, publicado pelas Edições Dom Qui­xote, foi alvo de apreciação na edição de Sábado, no suplementoActual” do Expresso, por parte da escritora e crítica literária Dóris Graça Dias, que refere que o texto, de iní­cio consegue prender a atenção “e a vontade de ler”, mas esfria com o decorrer da nar­rativa, tornando-se, através da sua “complexidade formal” muito repetitiva e espaço de “lugares-comuns”. No entanto, a presença da ironia é destacada pela crítica, que afirma que “muita ficção nacional peca” por não ter presente esta propriedade, que segundo a opinião de Dóris Graça Dias é necessária na literatura.

Mas não foi este o único lançamento por parte de um jornalista/escritor, já que Pedro Chagas Freitas lançou o seu primeiro romance intitulado Mata-me, com o selo da Corpos Editora. A apresentação pública da obra decorreu no Cybercentro de Guima­rães e contou com a presença do escritor e crítico literário Fer­nando Venâncio, encarregue da apresentação do livro. Este foi ainda responsável pela análise crítica, que saiu, também, na edição de Sábado no suplemento “Actual” do Expresso, onde foi referenciado pelo mesmo, como um livro “breve mas duro”, com que este jovem de 25 anos entrou “de repelão” no contexto literário português. Sobre o livro, o crítico do jornal Expresso argumenta ainda que se trata “de uma obra com uma escrita densa e fluente e uma linguagem tremendamente comunicativa”, e menciona Raul Brandão e José Luís Peixoto como “espíritos irmãos” do autor, no que toca ao género da narrativa, estilo que este afirma desconhecer.

Outro lançamento, este registado no suplemento “Mil Folhas” do Público de Sábado foi o livro de ficção de Sérgio Sousa-Rodrigues intitulado O Alfarrabista Que Mandou Falsificar Os Lusíadas, editado com a chancela da Prefácio. É referenciado como “um romance ou novela” repleta “de intrigas, mistérios, equívocos, sátiras e paródias” protagonizadas por um alfarrabista, que eleva o seu amor pelos livros ao extremo.

Para além destes lançamentos, há a registar ainda uma notícia do Diário de Notícias, acerca da atribuição do Prémio Máxima ao romance Uma Pedra no Sapato de Luísa Beltrão, editado pela Oficina do Livro. Este galardão visa reconhecer e “divulgar” obras literárias de escritoras portuguesas, sendo que esta autora já havia sido distinguida com este prémio, em 1994, pelo romance Os Pioneiros, publicado pela Editorial Presença.

No que concerne a prémios literários, convém ainda destacar o vencedor do Prémio José Saramago de 2005, Gonçalo M. Tavares com o romance Jerusalém, publicado pela Editorial Caminho. Este prémio bienal visa distinguir jovens escritores de língua portuguesa. A sua atribuição é classificada pelo autor, não como um incentivo, porque este afirma que não escreve livros para ganhar prémios, mas sim como um reconhecimento pelo seu trabalho. A cerimónia contou com a presença de José Saramago, que destacou a inteligência do vencedor deste ano do prémio com o seu nome, que foi instituído para celebrar a sua distinção com o Prémio Nobel da Literatura.

E assim se fazem os dias da Literatura Portuguesa Contemporânea, porque as palavras e ideias que os escritores portugueses nos vão deixando, nas suas grandiosas obras são, de facto, motivo de orgulho para todos nós portugueses, que num país em que pouco ou nada são rosas, podemos dizer que possuímos um património literário digno de registo e com qualidade reconhecida internacionalmente.